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BOAS NOVAS PARA 2009

O ano que vem já começou e com três ótimas novidades: um site, um CD e uma temporada de shows.

Primeiro, o site:
Músicos do Brasil, a enciclopédia virtual de música instrumental brasileira idealizada e produzida por Maria Luiza Kfouri, Fernando Barcellos Ximenes e Mauro Caldas (Zecalouro) entrou no ar nesta segunda-feira, dia 15 de dezembro de 2008. Finalmente um trabalho à altura da nossa Música, fruto de muito trabalho, um grande passo para a preservação e valorização da nossa memória e da nossa cultura. Estou muito feliz de fazer parte dessa história, é uma grande honra encontrar o meu nome ao lado de já reverenciados como Tom Jobim, Pixinguinha, Altamiro Carrilho e outros que há muito tempo mereciam constar, antigos e contemporâneos. O site é a continuação de um projeto que começou com Discos do Brasil, também dos mesmo produtores. Eu mesmo já passei algumas horinhas vasculhando os dois sites, passeando pela nossa história. Vale muito a pena.

Segundo, os shows:
“É tradição, e o samba continua – Panorama do samba paulista” é o nome do projeto idealizado pelo Chapinha (Samba da Vela) e a Por do Som que estréia dia 6 de janeiro no Centro Cultural Banco do Brasil. Serão 5 dias, 10 shows, como acontece tradicionalmente no CCBB, primeiro às 13h, depois às 19h30. A banda base será formada por Deni Alves (violão), Luizinho (cavaquinho), Júnior (pandeiro), Leandrinho (percussão geral), JJ (repique), Hugo Silva (surdo) e eu (sax e flauta). No primeiro dia, (06/01), nós estaremos de folga, nesse dia é o Quinteto em Branco e Preto e a Fabiana Cozza, mas com certeza estaremos lá prestigiando. Além do repertório autoral apresentado pelos participantes, cada um fará uma homenagem a Geraldo Filme, um dos maiores representantes do samba de São Paulo, e que, infelizmente, assim como tantos outros, desconhecido do grande público. Uma grande idéia, ótima oportunidade do público conhecer grandes compositores, cantores e instrumentistas paulistas, gente que há um bom tempo vem merecendo espaço. A programação completa já está na Agenda.

Terceiro, e não menos importante, o CD:
“Panorama do choro paulista”, o CD que vai mostrar o que tem sido produzido de bom no universo do choro daqui, idealizado pelo pandeirista Ivys, que encarou com seriedade esse p… trampo e conseguiu aprovar o projeto no PAC, em primeiro lugar! “Irmãos de Briga”, um maxixe em trê partes, feito em homenagem aos amigos Bira e Henrique, é a minha contribuição para a coletânea. Um pouco mais sobre como vai ser o disco, saberemos em breve. Interessante, esses dois projetos tão semelhantes, o dos shows e o disco. Um indicador de que estamos carentes da nossa própria música, da nossa própria cultura, e que estamos buscando conhecê-la.

Pelo visto, muita coisa boa está para acontecer o ano que vem, e isso é só o começo.

FELIZ 2009!

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OLHA QUEM CHEGOU!

Da esquerda pra direita:

Gerson da Banda e Jorge Neguinho: ritmo; Douglas Pity: surdo; Léo Rodrigues: pandeiro; João Borba; Dona Inah; Eduardo Gudin; Thiago França: sax, flauta, arranjos e direção musical; Marco Bailão: violão; Gian Corrêa: violão de 7; Henrique Araújo: cavaquinho e cavaquinho com afinação de bandolim; Alexandre Ribeiro: clarinete e clarone.

É isso aí, rapaziada! Sucesso total, grande show de lançamento do disco da Dona Inah, que eu tenho o orgulho de ter participado. SESC Poméia lotado, público receptivo, e não era um show tão fácil assim, boa parte das músicas não é tão conhecida. Mesmo assim a resposta foi super calorosa.

Quinteto em Branco e Preto

Quinteto em Branco e Preto, como sempre, é fogo na mata! A energia da rapaziada contagiou o púlbico. No disco, o Quinteto participou tocando em todas as faixas, o que foi fundamental para o resultado do projeto, porque o som já vem pronto, amarradinho, bem resolvido e cheio de malandragens, ritmo e harmonia conversando em sintonia total.

João Borba

João Borba, elegantíssimo, encantou o público com uma interpretação inspirada em “Violão Gentil”, presente no disco também.

Eduardo Gudin

E pra fechar, não podia faltar o próprio, Eduardo Gudin, compositor homenageado neste trabalho. Pra mim vai ficar guardado na lembrança o abraço apertado do Gudin no final do show, agradecendo pelo cuidado e o carinho com sua obra. Não podia ser outra a não ser “Velho Ateu” pra fechar o show. Duas vezes!

Numa de suas poucas idas ao estúdio durante a gravação, Gudin ficou emocionado com o arranjo de “Longe de casa”, parceria com Paulo Vanzolini, disse que essa é a gravação definitiva da música. A letra, na verdade, é uma poesia, escrita pelo Vanzolini há mais de 50 anos, quando ele estava fora do país, estudando, e que anos depois foi musicada.

“Longe de casa eu choro
E não quero nada
Pois fora do chão ninguém quer
E não pode nada
Sinto falta de São Paulo
De escutar na madrugada
Uns bordões de violões
E uma flauta a chorar prata”

Outro grande momento do CD é a música que dá nome ao álbum, “Olha quem chega”, primeira (de muitas) parcerias entre Gudin e Paulo César Pinheiro, gravada originalmente pela Elizeth Cardoso. A leveza do arranjo, um dos mais trabalhados, e a interpretação ímpar da Inah deram um ar solene à música. Uma grande alegria foi ter trabalhado com a pianista Débora Gurgel, que, além de talentosíssima, é uma pessoa iluminada. Débora assinou os arranjos de “Santo Dia” e “Desperdício”. “Praça 14 Bis”, homenagem à Vai-Vai e ao Bixiga é uma espécie de “Ode à alegria”, a Nona Sinfonia de Beethoven, em forma de samba. Os instrumentos vão chegando aos poucos, se aglutinando, como sugere a letra (Um samba muito bom que me contagiou). Daí surgiu a idéia de citar a música “Consideração”, também parceria com P.C. Pinheiro.

“Toda cidade vai cantar
E finalmente vai voltar
O tempo da paz, dos tempos atrás
O tempo da consideração
Quando era menos ambição
E o coração valia muito mais

Depois dessa, fico por aqui!

Veja também:
no Estadão
Débora Gurgel

Eduardo Gudin

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OLHA QUEM CHEGA – DONA INAH (2008)

Com muito orgulho, apresento meu primeiro trabalho assinando arranjos e direção musical. “Olha quem chega”, da Dona Inah, lançado pela Dabliú. Pouco mais de um ano de trabalho e eis que chega a hora do lançamento, nesta quinta (30/10), no SESC Pompéia.

O disco contou com a colaboração do Quinteto em Branco e Preto, meus irmãozinhos de fé e som. Jorge Neguinho e Gerson da Banda (ritmo), Léo Rodrigues (pandeiro), Gian Corrêa (violão de 7) e Henrique Araújo (cavaco e bandolim) completaram a espinha dorsal desse trabalho, sem contar o Marquinho Bailão, que, além de tocar, foi as pernas e os braços desse disco, e ainda as participações especialíssimas de Débora Gurgel, Zé da Velha e Silvério Pontes, Alessandro Penezzi e João Borba, entre outros grandes. Um disco bem tocado, bem gravado e com repertório escolhido a dedo: só músicas de Eduardo Gudin. Vai ter muito tempo pra falar sobre um monte de coisas desse disco, o que eu queria mesmo era falar da Dona Inah.

Sobre a Dona Inah… Tem gente que é do bem. Dona Inah é assim. Fiquei um bom tempo tentando escrever um texto sobre ela, até mesmo como uma forma de agradecimento (já que poucos tem coragem de confiar um trabalho desse porte a alguém que está apenas no início da carreira), mas sempre ficava um pouco burocrático e eu queria um texto bonito. Eis que aparece a poesia do nosso amigo e poeta Rogério Nóia, dizendo sucinto e elegante tudo aquilo que eu tinha em mente. Aqui vai:

 UM CANTO SABIDO 

Se varri ruas, bati portas

Não importa, sempre cantei…

Cantei semeando jardins e hortas

Sem importar-me, nunca, se errei!

 

Ora, erros? Foram-se…

Fez-se hora

De colher as flores que plantei

Sem passado, sem futuro

Sou agora

Hoje canto aos vassalos e ao rei!

 

Canto!

Canto pois que a dor e a alegria

São cantos que sonhei!

Canto!

Canto espantando a agonia

Que cantadora, a vida me fez

 

E se esse meu canto sofrido

Chegar a todos os ouvidos que amei

Será, de fato, meu canto vivido,

Pois saberei porque cantei.

Rogério Nóia, para Dona Inah (14/05/2008)

E acabei me lembrando de outra coisa, um comentário do Délcio Carvalho, referindo-se a um monte de gente igual que tem aparecido por aí: “Tem um monte de gente querendo cantar igual lavadeira. Pra cantar igual lavadeira, primeiro tem que aprender a lavar roupa…”

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Metá-Metá

Metá-Metá

Por muito tempo no imaginário afro-religioso brasileiro o termo “metá-metá” foi aplicado às divindades de natureza dupla que, no caso, pode ser sexual (masculino/feminino) ou simplesmente comportamental. Em meio aos desdobramentos lingüísticos da cultura oral predominante nesse segmento religioso, o termo metá-metá virou no Brasil uma espécie de abreviação referente a duas metades.
Em língua ioruba a palavra metá significa três, sendo assim metá-metá pode ser traduzido em um sentido mais próximo à tradição africana como três ao mesmo tempo, ou seja, a síntese de três elementos em um
(1).
É pensando nesse conceito que Juçara Marçal (voz), Thiago França (sax) e Kiko Dinucci (violão e composições) se juntaram para mostrar um trabalho inédito. Com base no universo musical afro-religioso brasileiro, Metá-metá dispensa o uso de percussão, sem deixar as características rítmicas de lado, ressaltando os elementos harmônicos e melódicos, bem como os sígnos da música de influência africana no mundo.

(1) LOPES, Nei, Logunedé: “Santo menino que velho respeita” – 2 ed. – Rio de Janeiro : Pallas, 2002.

–x–

Ontem, 10 de setembro, fizemos nossa primeira gravação oficial, ainda em caráter “demo”. Em outubro a gente grava o disco.

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