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PROGRAMA ENSAIO – 2/2

banda: Chocolate, Vitor Pessoa, Eu, Magnu Souzá, Everson Pessoa, Maurílio de Oliveira e Ivyson Casca.
na frente, Beth e Fernando Faro.

Passou ontem na TV Cultura o segundo programa Ensaio que eu gravei, desta vez com a Beth Carvalho. Para alguns pode não parecer, mas falar da Beth não é fácil. Por toda a sua história dentro da música popular brasileira, dizer que é uma grande cantora, ou que é uma grande sambista, é muito pouco. Qualquer coisa parece pouco, qualquer comentário parece pequeno. Dizer que foi uma honra gravar o programa com ela, que deu frio na barriga, também parece pouco. Fiquei muito tempo pensando no que escrever e cheguei a conclusão que se não fosse escrever um livro, seria pouco.

Dessa vez, além da Beth, ainda tem o Quinteto em Branco e Preto. Aí então é melhor nem começar, seria outro livro. Que felicidade é poder trabalhar com essa rapaziada!

Mas tem um fato que pra mim sintetiza tudo que eu gostaria de falar sobre ela. Há uns trinta anos atrás, Beth lançou em Belo Horizonte, na quadra do Clube Atlético Mineiro, a música “Vou Festejar” (Dida, Neoci e Jorge Aragão). O samba virou o segundo hino do time, e a Beth, como não poderia deixar de ser, virou madrinha da torcida!
Hoje em dia, que os contadores e marqueteiros comandam o mercado musical, com tantos artistas descartáveis por aí (mas esse papo é chato, não vou entrar nele), tal feito não seria possível. Trinta anos depois, ao final de todos os jogos do Atlético em Belo Horizonte a torcida canta religiosamente essa música, ganhando ou perdendo. É difícil imaginar hoje em dia, um(a) artista capaz de causar um impacto dessa grandeza, comunicar desta forma com o povo, com verdade, com paixão, e o povo se identificar com ele(a).

Eu vejo a Beth Carvalho assim.

Beth Carvalho no Mineirão

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PROGRAMA ENSAIO – 1 2

Sorte de principiante é isso aí. Depois de muitos anos assistindo o programa e imaginando como seria ter a honra de gravar um, em julho desse ano tive a sorte de gravar dois, e com duas grandes figuras do samba. O primeiro com o cantor Roberto Silva, o segundo, com a Beth Carvalho. Vou falar do Roberto.

Assim que o Paulo Félix, produtor que cuida dos assuntos do Roberto em São Paulo, me fez o convite pra integrar a banda de cá – não precisei pensar muito pra aceitar – fui logo consultar meus arquivos e lá estavam: “Descendo o Morro”, volumes 1 e 2, acervo básico e obrigatório na discoteca de qualquer músico e/ou apreciador de samba.

Obrigatórios, primeiro, pelo repertório: praticamente todos os sambas gravados na série fizeram sucesso e tornaram-se clássicos, cantados em rodas de samba e bailes pelo país afora até hoje. Só pra citar alguns: “A mulher do Seu Oscar”, “Agora é cinza”, “Ai! Que saudade da Amélia”, “Falsa Baiana”, “A voz do morro”, “Pisei no despacho”, “Se acaso você chegasse”, “Rugas”, “Você tá sumindo”, “Escurinho” são os que me lembro de cabeça. Um CD com esse repertório hoje seria considerado “caça-níquel”, diriam até que é covardia!

Segundo, porque com Altamiro Carrilho tocando, arranjando e produzindo, além de grandes figurinhas carimbadas da época, Abel Ferreira, Raul de Barros, Canhoto, Dino, Meira e por aí vai, os discos são verdadeiras aulas de samba. E nós, que somos do metiê, crentes ou não nas religiões afro-brasileiras, praticantes ou não, sabemos que o Samba é um Orixá, um Nkissi, e que o Ele (ou “Ela”, porque na tradição angolana, samba quer dizer “senhora”) gosta de ser cultuado e respeitado como tal. Ouvindo todos aqueles sambas de novo mas com atenção triplicada, me ocorreu que cada uma daquelas músicas parecia uma Entidade, com sua saudação, sua roupa, sua dança, sua comida. Não dava pra fazer outra coisa senão tirar tudo como está nos discos.

E foi com grande satisfação que acompanhei o “Seu” Roberto pela primeira vez lá no SESC Taubaté, em março/08, tocando tudo do original. E juro: toda vez que a voz majestosa do Roberto Silva, com 87 anos e cheio de saúde, entrava logo após cada um dos arranjos, parecia um Santo aceitando uma oferenda. E viajei no tempo e pensei em gente que fez muito pelo samba e pela cultura nacional e recebeu nada ou quase nada em troca, e ali estava eu, diante de uma dessas grandes figuras que merece muito respeito.

Fica então esse belo presente no dia do meu aniversário. Hoje, 17 de semtembro de 2008, eu completo 28 anos e vai ao ar o Programa Ensaio com o Roberto Silva, terceiro dele, primeiro meu.

veja também: http://www.overmundo.com.br/overblog/roberto-silva-o-principe-que-vive-como-rei

E no Youtube:

Se acaso você chegasse
Falsa baiana

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