Com muito orgulho, apresento meu primeiro trabalho assinando arranjos e direção musical. “Olha quem chega”, da Dona Inah, lançado pela Dabliú. Pouco mais de um ano de trabalho e eis que chega a hora do lançamento, nesta quinta (30/10), no SESC Pompéia.

O disco contou com a colaboração do Quinteto em Branco e Preto, meus irmãozinhos de fé e som. Jorge Neguinho e Gerson da Banda (ritmo), Léo Rodrigues (pandeiro), Gian Corrêa (violão de 7) e Henrique Araújo (cavaco e bandolim) completaram a espinha dorsal desse trabalho, sem contar o Marquinho Bailão, que, além de tocar, foi as pernas e os braços desse disco, e ainda as participações especialíssimas de Débora Gurgel, Zé da Velha e Silvério Pontes, Alessandro Penezzi e João Borba, entre outros grandes. Um disco bem tocado, bem gravado e com repertório escolhido a dedo: só músicas de Eduardo Gudin. Vai ter muito tempo pra falar sobre um monte de coisas desse disco, o que eu queria mesmo era falar da Dona Inah.

Sobre a Dona Inah… Tem gente que é do bem. Dona Inah é assim. Fiquei um bom tempo tentando escrever um texto sobre ela, até mesmo como uma forma de agradecimento (já que poucos tem coragem de confiar um trabalho desse porte a alguém que está apenas no início da carreira), mas sempre ficava um pouco burocrático e eu queria um texto bonito. Eis que aparece a poesia do nosso amigo e poeta Rogério Nóia, dizendo sucinto e elegante tudo aquilo que eu tinha em mente. Aqui vai:

 UM CANTO SABIDO 

Se varri ruas, bati portas

Não importa, sempre cantei…

Cantei semeando jardins e hortas

Sem importar-me, nunca, se errei!

 

Ora, erros? Foram-se…

Fez-se hora

De colher as flores que plantei

Sem passado, sem futuro

Sou agora

Hoje canto aos vassalos e ao rei!

 

Canto!

Canto pois que a dor e a alegria

São cantos que sonhei!

Canto!

Canto espantando a agonia

Que cantadora, a vida me fez

 

E se esse meu canto sofrido

Chegar a todos os ouvidos que amei

Será, de fato, meu canto vivido,

Pois saberei porque cantei.

Rogério Nóia, para Dona Inah (14/05/2008)

E acabei me lembrando de outra coisa, um comentário do Délcio Carvalho, referindo-se a um monte de gente igual que tem aparecido por aí: “Tem um monte de gente querendo cantar igual lavadeira. Pra cantar igual lavadeira, primeiro tem que aprender a lavar roupa…”

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